sábado, 18 de junho de 2011

Resenha do livro "Libertinagem"

BANDEIRA, Manuel. Libertinagem. 5. ed. São Paulo: Nova Fronteira, 1995.

Publicado em 1930, Libertinagem é o primeiro livro inteiramente modernista de Manuel Bandeira. O autor tornou-se precursor do movimento que marcou a ruptura do Parnasianismo na poesia brasileira, ao lado de Mario de Andrade, Oswald de Andrade, Carlos Drummond de Andrade e outros poetas. Abandonando as formas tradicionais acadêmicas do Parnasianismo, Bandeira mostra em Libertinagem uma liberdade de expressão e uma linguagem coloquial através de uma simplicidade consentida e elaborada, proposta pelo Modernismo. Neste movimento, surge um sujeito evasivo que representa propriamente uma objetivação do eu, uma ruptura das defesas e barreiras para o exterior, que permitiu o espaço para o grito de liberdade representado em Libertinagem.
A linguagem fácil, em que a obra foi escrita, torna a compreensão da leitura acessível ao mais leigo leitor de poesia. É como se o poeta quisesse escrever sobre si próprio, demonstrando o quanto é necessário se curvar à humildade diante dos fatos da vida. O autor descreve a infância e redescobre a pureza que existe dentro de cada um, sob um olhar que não seja crítico, tornando-se uma pessoa acessível. A magia encontrada dentro de cada poema faz com que o leitor reencontre seus mais ternos sentimentos.
Cada verso dos trinta e oito poemas penetra no íntimo do leitor. Essa argúcia extrai a sensibilidade adormecida, há tempos, dentro do indivíduo que se encontra perdido num emaranhado de acontecimentos que, ao que parece, estão fora de seu controle. A maneira que o poeta valoriza a vida, os familiares e as pequenas coisas que passam despercebidas, tudo isso está presente nos poemas dessa obra. A utilização de versos livres e a liberdade de criação sem a obrigatoriedade da rima com o mesmo número de sílabas são comuns à poesia do Modernismo. Como pode-se observar no poema pneumotórax abaixo:
Pneumotórax

Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.


Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três . . . trinta e três . . . trinta e três . . .
— Respire.
 
...............................................................................................................
 
— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
                   No poema há uma tranqüilidade, o equilíbrio com que o eu lírico relaciona-se com a morte "- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax? / - Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino", ao demonstrar que a morte é um acontecimento natural e intrínseco aos entes vivos. O poeta transforma uma situação perturbadora em algo sereno e até cômico, por meio de uma linguagem simples, que parte dos sintomas, passa pelo diagnóstico da enfermidade e desemboca em um desfecho àquela altura natural, em que a fala do médico traduz que "a vida inteira que podia ter sido e que não foi" continua sendo o que é. Com efeito, a morte é algo comum na obra de Bandeira, está indissociavelmente ligada à sua lírica e à sua vida. Sendo assim, muitos outros de seus poemas têm como tema a morte, mas incessantemente ligada à vida
      Libertinagem é um livro modernista, pois incorpora a fala coloquial e até realizações incultas da língua. Há uma valorização de fatos e coisas do cotidiano, algumas, inclusive, vivenciadas pelo autor. Essa valorização teve como resultado uma construção poética, na qual se podem observar detalhes, o que demonstra o total desapego às coisas efêmeras, as quais, para muitos, têm extrema importância.  Embora o livro contenha algumas poesias que lembram certas passagens tristes da vida do autor, como pneumatórax, anjo da guarda e poema de finados, não se trata de uma obra melancólica ou depressiva

Bárbara Gonçalves
Dáffini Barcelar
Gislaine Pereira
Marineide Santos

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Sinopse de filme

Introduction

The aim of this work was to develop the text production ability in English language using the movie synopsis genre.


Introdução

O objetivo deste trabalho foi o desenvolvimento da habilidade da produção textual em Língua Inglesa utilizando-se o gênero textual sinopse de filme.













JACYARA SHEYLA DOS SANTOS
KENNEDY RAMALHO FONTES
RONNIE ALVES FERREIRA
SUELLEN CRISTINA DE FARIA

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Resenha do livro "Linguagem e Ideologia"

FIORIN, José Luiz. Linguagem e ideologia.  2. ed. São Paulo: Ática, 1990.
Fiorin aborda, no livro Linguagem e ideologia, a relação que a linguagem mantém com a ideologia, ou melhor, a influência que uma exerce sobre a outra. O livro tem como ponto de partida estudos de grandes pensadores, como Marx e Engels, e, a partir daí, Fiorin, de uma maneira incrível, trabalha diversos conceitos que relacionam a importância da linguagem na formação ideológica do indivíduo, levando em conta os fatores sociais que, segundo o autor, são determinantes para a efetivação dessa formação ideológica.
O sistema linguístico de uma língua sofre alterações devido a fatores internos da língua, e não a externos. O que chama a atenção a esse fato é que a criação de categorias linguísticas provavelmente depende de fatores sociais, porém essas categorias perdem os laços que têm com os fatores sociais que contribuíram para seu aparecimento, ganhando, dessa forma, autonomia.
         O autor faz distinções entre alguns termos, as quais acabam ajudando no entendimento do livro. Uma dessas distinções importantes é entre o discurso e a fala. O discurso são “[...] as combinações de elementos linguísticos, usados pelos falantes com o propósito de exprimir seus pensamentos” (FIORIN, 1990, p. 11), enquanto a fala seria a concretização desse discurso, sua exteriorização. O discurso, para ser compreendido em sua totalidade, tem que estar bem-estruturado sintática e semanticamente. O autor distingue também sintaxe discursiva de semântica discursiva, sendo a sintaxe predominantemente consciente, e a semântica inconsciente, pois, para se expressar, o falante tem que estruturar o que vai ser dito, já o conteúdo é influenciado pelo contexto social. Dois discursos podem se referir à mesma coisa e, mesmo assim, serem discursos distintos, se cada um tratar do assunto sob pontos de vista diferentes.
O texto é um dos veículos de expressão do discurso. Existem dois tipos de texto: o temático (não figurativo) e o figurativo. Segundo Fiorin (1990, p. 26):
Tema é o elemento semântico que designa um elemento não-presente no mundo natural, mas que exerce o papel de categoria ordenadora dos fatos observáveis. São temas, por exemplo, amor, paixão. Lealdade, alegria. Figura é o elemento semântico que remete a um elemento do mundo natural: casa, mesa, mulher, rosa etc.
Já o discurso figurativo é a concretização de algum discurso temático, ou seja, um está interligado ao outro, o discurso figurativo narra um determinado episódio, e o temático é  dissertativo, pois está contido através da “moral” da história.
Toda formação ideológica é determinada pela classe social do indivíduo, sendo que a ideologia da classe dominante tem influência sobre as demais. Nenhum indivíduo é livre ideologicamente, todas as suas ideias e pensamentos são influenciados pelo contexto social no qual ele está inserido. A linguagem é o que determina a formação ideológica, pois é através dela que se transmite qualquer forma de conhecimento. É através da linguagem que o homem se relaciona com os outros e pode interferir (agir) no mundo.
Fiorin (1990, p. 26) mostra que há dois níveis de realidade: “[...] um de essência e um de aparência, ou seja, um profundo e um superficial, um não visível e um fenomênico”. É a partir do nível de aparência que se forma a ideologia dominante num contexto social. O autor dá como exemplo a exploração do trabalho no sistema capitalista, em que o trabalhador recebe pela força de trabalho, mas acha que recebe pelo trabalho. Nesse caso só analisando a realidade pelo nível da essência é que se percebe que o trabalhador está sendo enganado, mas, como a maioria das pessoas é levada a ver a realidade pelo nível de aparência, a realidade continua mascarada.
A ideologia é construída pela realidade, ao mesmo tempo que é construtora dessa mesma realidade. Sendo assim, o discurso é expressão da consciência, mas essa consciência é formada pelos discursos com os quais o indivíduo teve contato. O mesmo discurso pode se manifestar através de diferentes meios de expressão, sendo cada um a sua maneira. Por exemplo, um livro que é usado para se fazer um filme é o mesmo discurso expresso por dois meios distintos.
O livro de Fiorin é ótimo para entender melhor a importância da linguagem, pois ela é o veículo de todo conhecimento e formadora de toda ideologia. O autor abordou todos esses conceitos e elaborou o livro de forma brilhante. Trata-se de uma obra que faz o leitor refletir sobre o mundo a sua volta, tornando o seu olhar diferente, mais crítico e perspicaz.

Cândida Morais Quaresma
Daniel Sousa Rocha
Emanuele Cristine
Gisele Gomes
Suzidarle da Silva Alves

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Resenha do livro "Por que (não) Ensinar Gramática na Escola"

POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas, SP: Mercado de Letras, 1996. (Coleção Leituras no Brasil).
                              

Sírio Possenti é graduado em Filosofia (Pontifícia Universidade Católica do Paraná, 1969), mestre em Linguística (Universidade Estadual de Campinas, 1977) e doutor em Linguística (Universidade Estadual de Campinas, 1986). Atualmente, é professor associado ao departamento de Linguística da Universidade Estadual de Campinas, onde coordena o FEsTA: Centro de Pesquisa, Fórmulas e Estereótipos. Autor de Por que (não) ensinar gramática na escola, publicou ainda: Discurso, estilo e subjetividade; Os humores da língua; Os limites do discurso: questões para analistas do discurso; Língua na mídia; Malcomportadas Línguas, Humor, língua e discurso.

Por que (não) ensinar gramática na escola desperta e prende a atenção do leitor desde o título. Ao utilizar o não entre parênteses, o autor remete à problemática questão que parece dividir gramáticos e linguistas. O livro, fruto da reunião de dois textos menores e escritos como resposta a pequenos desafios apresentados por outros pesquisadores, reúne as ideias do autor sobre o papel que a gramática exerce na educação e no ensino da língua materna, assim como as teses que embasam sua posição. Como apontado na introdução, não se trata de nada novo e (ou) inovador na área, apenas uma reunião de textos e opiniões acerca do uso da gramática na sala de aula.

O livro é dividido em duas partes. Na primeira, são apresentadas dez teses básicas, as quais Possenti aponta como essenciais para um bem-sucedido ensino de língua materna.

A primeira tese abordada pelo autor é a de que ‘O papel da escola é ensinar língua padrão’, em que defende que a escola deve realmente criar condições para que o português padrão seja aprendido, independentemente de quais dialetos, diferentes do padrão, sejam utilizados pelos alunos. Possenti defende que, do ponto de vista cognitivo, um falante pode dominar várias línguas ou dialetos, e que o único erro quanto ao ensino do português padrão seria sua imposição a quem não o fala usualmente. O autor é muito coerente em sua descrição de língua padrão, como sendo a capacidade de escrever e ler. O domínio dessas duas habilidades é essencial para o aprendizado eficaz de qualquer língua.

Em ‘Damos aulas de que a quem?’, Possenti discorre sobre a necessidade que têm professores e escola de possuírem uma concepção clara do que seja a língua e do que seja uma criança. Segundo ele, tal conhecimento revelaria o sucesso das crianças em aprender as regras necessárias para se comunicar através da fala. Por mais complexas que sejam as línguas, as crianças são perfeitamente capazes de aprendê-las. O autor chama a atenção para a existência de dois processos através dos quais seres humanos adquirem conhecimento: repetição exaustiva de certos movimentos, semelhante ao treinamento de animais; e habilidades adquiridas de forma mais criativa, alicerçadas na consideração e teste de hipóteses. O autor é bem claro ao identificar a prática de ensino atual como pertencente à técnica da repetição exaustiva. Sua visão e distinção entre as duas formas de aquisição de conhecimento é pertinente e totalmente relevante a quem deseje oferecer aos  alunos um ensino de qualidade.

Em ‘Não há línguas fáceis ou difíceis’, ele apresenta noção sobre as línguas possuírem igual complexidade e semelhança estrutural, conclusão que se baseia no reconhecimento da inexistência de línguas primitivas e, portanto, mais simples. Esse equivocado julgamento de valor sempre se apoiou na oposição entre primitivo e civilizado. O autor conclui que não é mais fácil estudar um dialeto, ou língua, do que outro(a), e que um falante de uma língua ou dialeto deve ser considerado tão capaz quanto o falante de outra variação linguística. Essa tese poderia ser melhor representada, se utilizados exemplos reais de dois dialetos, um considerado inferior e outro adequado, encontrados em sociedade.

Com ‘Todos os que falam sabem falar’, o autor desconstrói outro preconceito linguístico. Ao ignorar o contexto social e cultural em que surge uma variação linguística, julgando seus falantes de acordo com um contexto que lhes é estranho, acaba-se por condená-los, considerando-os ultrapassados e inferiores. Possenti demonstra que, apesar de eventuais peculiaridades, todos os falantes de uma língua, incluindo seus dialetos, tanto sabem falar que o fazem o tempo todo, construindo frases morfológica e sintaticamente corretas, mesmo que não possuam o conhecimento das regras em torno dessas estruturas gramaticais. O autor relaciona, com perspicácia, essa tese ao ensino em sala de aula, defendendo que os professores deveriam ensinar ao aluno aquilo que eles, de fato, não sabem e não o que já dominam. Ele assinala que é no âmbito do texto, sua produção e técnicas eficientes de leitura, que a escola deve concentrar seus esforços no ensino da língua.

‘Não existem línguas uniformes’ trata do erro com que algumas pessoas julgam uma língua devido à sua heterogeneidade, ou seja, consideram que essa língua seja inferior simplesmente porque apresenta variações entre seus falantes. Possenti aponta para o fato de que todas as línguas, sem exceção, apresentam variações quanto às suas comunidades de falantes, sendo que essas variações derivam de dois fatores: externos à língua (geográficos, sociais, de idade, profissionais etc.) e internos (assimilados pelos falantes e direcionadores das características da fala). O autor evidencia o absurdo da ideia de uniformidade de uma língua. Sua defesa da multiplicidade de variações de um idioma é coerente com a realidade linguística obervada nos diferentes contextos sociais e encontrada também no âmbito da escola.     

‘Não existem línguas imutáveis’ apresenta o caráter de evolução das línguas. Todas as línguas mudam, de acordo com o tempo e com o uso que se faz delas. É utilizada a questão dos arcaísmos para exemplificar a evolução natural de uma língua, demonstrando que formas mais antigas de palavras caem em desuso, sendo substituídas por outras mais recentes. Além disso, coloca-se a contradição de que gramáticas e escolas continuam a ensinar formas arcaizadas aos alunos, embora já não façam mais parte de seu universo linguístico. Sua leitura dessa contradição é apurada, e seus exemplos são fáceis de assimilação, remetendo ao abismo entre a realidade dos manuais de ensino normativos e o uso real da língua.

Com ‘Falamos mais corretamente do que pensamos’, o autor pretende demonstrar que há um destaque indevido para erros observados na fala de um indivíduo e (ou) comunidade de falantes, o que se observa também nas salas de aula. Professores contabilizam erros indiscriminadamente, quando, segundo Possenti, deveriam considerar a classe dos erros cometidos, o que lhes permitiria direcionar o ensino para a correção de tais desvios. Além disso, a ideia de que alguém possua a fala ‘toda’ errada não corresponde à realidade. Falamos segundo normas estruturais internalizadas, de forma que eventuais erros de pronúncia e (ou) concordância não significam que alguém não saiba falar corretamente.

‘Língua não se ensina, se aprende’ se reporta ao modo como as crianças aprendem a língua sem que sejam ensinadas. Quando chegam às escolas, as crianças já apresentam uma gramática interna, sem que seus pais a tenham ensinado. Os pais corrigem os erros dos filhos, sim, mas não lhes ensinam segundo os moldes da escola. O autor se vale dessa característica de aprendizado da língua através da interação com outros falantes, como a criança primeiro aprende, para ressaltar a importância de que a escola ensine à criança aquilo que ela, de fato, desconhece sobre a língua, destacando a leitura e a escrita. Novamente ele obtém êxito ao falar sobre uma característica que deveria ser melhor trabalhada no sistema de ensino.

Uma das premissas mais importantes apresentadas pelo autor e que, segundo o próprio, é a mais óbvia e menos seguida, questiona: ‘Sabemos o que os alunos ainda não sabem?’. Possenti diz que esse conhecimento a respeito dos alunos permitiria que estratégias de ensino fossem traçadas e aplicadas, em substituição à didática ineficaz de decidir o que ensinar em cada série. Para ele, o ensino de uma língua a partir do zero só seria aconselhado para línguas estrangeiras, em que o aluno não conhece nada do novo idioma. Desvendado o que o aluno sabe sobre leitura, produção de textos e gramática, por exemplo, professores poderiam partir para novas possibilidades a respeito desses temas, de forma a ampliar o conhecimento dos alunos e evitar que os mesmos se sintam desmotivados por terem que aprender aquilo que já sabem.    

‘Ensinar língua ou ensinar gramática’ é a última das teses que o autor aponta como essenciais ao ensino de língua materna. Aqui ele reforça uma certeza, já sugerida pelo estudo das demais teses: saber uma língua não implica dominar o conhecimento técnico das regras com as quais essa língua é estruturada. Ensinar gramática não é, definitivamente, ensinar língua e vice-versa. A gramática deve ser vista como uma coadjuvante, jamais como a personagem principal no ensino da língua, devendo dividir a atenção com as práticas de produção, leitura e interpretação de textos, sendo que essas práticas é que deveriam vir em primeiro lugar no ensino. O autor acerta ao indicar, no final dessa tese, que toda e qualquer mudança no enfoque dado ao ensino da língua deverá partir dos professores, principais agentes de qualquer projeto de ensino.

Tendo elencado as bases para o ensino de língua materna, Possenti apresenta a segunda parte de seu trabalho, na qual procura expor conceitos de gramática que considera relevantes para uma proposta de ensino, enquanto tenta desenhar seu papel na escola.

O autor começa defendendo sua crença em que o ensino de gramática é muito diferente quando se considera que ela não é indispensável para o ensino, que seu estudo difere do domínio ativo da língua e que apresenta vários tipos. Depois, define que o estudo da gramática é entendido como a soma de: a) um estudo relacionado a aspectos ortográficos, concordância, regência, pronomes oblíquos etc.; b) uma análise de determinadas construções: critérios para distinguir entre vogais e consoantes, descoberta de partes das palavras, análise sintática etc. O autor relata uma grande discussão em torno da gramática, com relativa mudança de discurso, mas nenhuma mudança significativa nas práticas de ensino.

Após sugerir que se tome como significado para gramática um conjunto de regras, Possenti destaca três formas de compreensão desse conjunto: regras que devem ser seguidas; regras que são seguidas e regras que o falante da língua domina. Feito isso, ele as relaciona com os tipos de gramática existentes, bem como às definições que apresenta para língua, regras e erro.

Primeiro ele define gramática normativa como a mais conhecida pelos professores dos ensinos Fundamental e Médio. Ela representa o conjunto de regras que devem ser seguidas, daí o nome normativo. Tais regras destinam-se a fazer com que leitores aprendam a falar e escrever corretamente, de acordo com a variedade padrão. Nesse contexto, a língua corresponde às formas de expressão produzidas pelas pessoas cultas. A língua escrita funciona como modelo e passa a representar a própria língua. No caso do Português, a língua escrita elaborada por escritores literários condicionou a norma chamada culta ou variante padrão e tudo que diverge dessa norma é considerado erro, vício de linguagem ou vulgarismo. As regras são interpretadas como algo a ser obedecido, sob pena de punição para quem as desrespeita. Considera-se erro tudo aquilo que foge à variedade eleita como exemplo de boa linguagem, altamente idealizada e buscada no passado.

Em seguida, apresenta a gramática descritiva, que orienta o trabalho de linguistas preocupados em descrever e (ou) explicar as línguas como são, de fato, faladas. Representa o conjunto de regras que são seguidas. Em tal concepção, a língua é estudada sem que nenhuma variação seja desqualificada como não pertencente à mesma. Há um esforço em encontrar as regularidades que condicionam essa variação e a noção de regra é a de algo regular, constante, a exemplo das leis da natureza, não sugerindo nenhuma sanção. O erro se apresentaria na ocorrência de formas que não pertencem, de maneira sistemática, a nenhuma das variações da língua.

Tendo explicado as gramáticas normativa e descritiva, Possenti apresenta a gramática Internalizada, referente a hipóteses sobre conhecimentos, que permitem aos falantes produzir sequências de palavras compreendidas e reconhecidas como pertencentes a uma língua específica, o que se dá através da forma e disposição que essas palavras ocupam nas sequências, assim como de seus sons. Representa o conjunto de regras que o falante domina, sendo-lhe internalizada através dos conhecimentos lexical (capacidade de emprego adequado das palavras) e sintático-semântico (distribuição das palavras na sentença e efeito dessa distribuição para o sentido). A língua reconhece que, sendo os fatos linguísticos variáveis, as regras que o falante implicitamente domina também o são, incluindo condicionamentos externos e estruturais. As regras são, também, algo de regular, constante e sem nenhuma sanção. Aqui o erro ocorreria se observados problemas quanto à posição que as palavras ocupam em uma sequência e na produção de sentido que essa posição permeia.

As descrições do autor sobre os tipos de gramática são breves, embora bem exemplificadas e de fácil compreensão. São pertinentes suas considerações a respeito de língua, das quais se apreende o caráter equivocado do padrão culto extraído a partir da literatura, contemplado pela gramática normativa, bem como a relevância de uma abordagem sistêmica que envolva a análise proposta pelas gramáticas descritiva e internalizada. No que concerne às regras, Possenti comenta que a escolha de seguir a uma ou outra regra será julgada pela sociedade, sendo classificada como culta ou não, mas que tal escolha não significa maior ou menor inteligência do falante. No campo teórico, as ideias do autor são de fácil aplicação, mas, observadas as regras e convenções sociais às quais se está vinculado, é pouco provável que alguém se arrisque a desafiar a ordem, optando por um conjunto de regras do segundo tipo, o que faz com que seu discurso soe utópico.

Encerrando seu trabalho, Possenti apresenta o esboço de uma metodologia prática, a ser implementada na escola, que considera as teorias com as quais trabalhou ao longo da obra. Segundo esse modelo, indica que a gramática seja trabalhada através da leitura, escrita, narrativa oral, debate e todas as formas de interpretação, excluindo lições de nomenclatura, análise sintática e morfológica. O ensino da língua deve priorizar o conhecimento interiorizado, em um processo que articule formulações, teste e consequente aceitação ou recusa de hipóteses. Aos professores cabe evitar a artificialidade, comumente observada nas práticas escolares. As regras contemplam ensinar o domínio dos usos vários de uma língua, devendo-se buscar no conhecimento da língua a compreensão dos aspectos gramaticais. Quanto ao erro, no âmbito da escola, poderia significar o uso de uma variação não padrão da língua em uma situação que a exigisse, sendo corrigido a longo prazo e evitando a condenação do aluno no processo. Além disso, também seria considerado erro uma hipótese errada formulada pelo aluno diante do aprendizado de uma variedade nova. Sua correção será feita com a apresentação da forma correta, também de forma não estigmatizada. O autor finaliza defendendo uma prática de ensino na escola, em que os três tipos de gramáticas sejam trabalhados, mas na ordem inversa da que se observa hoje. Trabalhar-se-á primeiro a gramática internalizada, depois a descritiva e, por último, a normativa. Esse esboço de metodologia contempla as premissas que Possenti explicita ao longo do livro, embora sua aplicação em sala de aula seja dificultada, senão impedida, graças à resistência com que o sistema de ensino reage a mudanças na prática consolidada em torno do ensino da gramática. O mais difícil, com relação a mudar tal abordagem, parece residir no fato de que ela continua orientando o ensino fundamental e médio, além de figurar em provas de vestibulares e concursos por todo o país. Romper com esse círculo é muito difícil, mesmo com todas as teses e estudos de qualidade, a exemplo do livro analisado, com que linguistas vêm propondo mudanças a um longo tempo.  






GRASIELLE CRISTINE PINTO CHALUB
PAULA SOUZA RÉGIS
RITA ANÁLIA GUIMARÃES
RONNIE ALVES FERREIRA

Resumo do capítulo " A Construção de Sentido no Texto: Coesão e Coerência" do livro "O Texto e a Construção dos Sentidos"

KOCH, Ingedore Villaça. A construção de sentidos no texto: coesão e coerência. In:___. O texto e a construção dos sentidos. 2. ed. São Paulo: Contexto, 1998. Parte I, p. 35-45.



            A coesão e a coerência são qualidades essenciais de um texto. Enquanto esta diz respeito à relação lógica que se estabelece entre as ideias de um texto, aquela se refere à relação estabelecida entre palavras, frases e parágrafos, por meio de conectivos (preposições, conjunções, advérbios etc.). Sendo assim, esses atributos são imprescindíveis para produção de um texto harmonioso. Por outro lado, é indispensável que o texto “faça” sentido para o leitor, a fim de que se configure como tal.
            Koch (1998) considera que a coesão e a coerência, mais do que atributos fundamentais do texto, desempenham um papel decisivo para a construção de sentidos a partir dele. Ressalta a importância desses elementos para produção de significados.
            Na introdução do capítulo, a autora salienta que, apesar da dificuldade de estabelecer uma distinção nítida entre coesão e coerência, trata-se de fenômenos amplamente diferentes. Em seguida, a partir do subtítulo “A coesão textual”, ela apresenta a definição desse termo segundo Marcuschi e afirma que esse fenômeno ocorre em duas modalidades: remissão e sequenciação.
            Koch (1998) alega que a coesão por remissão funciona, ora pela reativação de referentes, ora por sinalização textual. A primeira consiste na retomada de informações por meio da referenciação anafórica (para trás) ou catafórica (para frente). Ela salienta o papel desempenhado por elementos gramaticais, tais como pronomes pessoais, possessivos, demonstrativos, artigos definidos, numerais, entre outros, na produção desse tipo de coesão. Por outro lado, a sinalização textual ocorre por meio de indicações de posição, dispostas no próprio corpo textual, que conduzem o leitor a outro lugar do texto. É importante ressaltar que, para cada um desses casos, a autora apresenta uma diversidade de exemplos.
            No segundo subtítulo, intitulado “A coerência”, Koch (1998), ao definir esse fenômeno, salienta a relevância dos aspectos exteriores ao texto e da interação dos interlocutores para produção desse efeito, pois afirma que “(...) a coerência não está no texto (…) [mas] ela deve ser construída a partir dele (…)”. (KOCH, 1998, p. 41). Em “Zonas de intersecção”, a autora reforça a necessidade de efetuar cálculos dos possíveis sentidos expressos pelos elementos presentes no texto. Ela afirma que, ao fazer isso, eliminam-se as fronteiras que distinguem a coesão da coerência e, por fim, analisa alguns casos em que essa imbricação ocorre.
            Considera-se que as ponderações de Koch (1998) contribuem qualitativamente para o desenvolvimento da prática textual. Visto que a coerência e a coesão são atributos inalienáveis do texto, sob o risco de comprometer totalmente o sentido, faz-se necessária uma séria reflexão sobre o assunto, a fim de que se possam produzir textos coesos, coerentes e, acima de tudo, significativos.

 Alessandra Veloso
Ebe Cruz
Suziane dos Santos
 Vânia Silvério

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Resumo do capítulo "A Língua Portuguesa no Mundo" do livro "A Língua Portuguesa no Mundo"

ELIA, Sílvio. A língua portuguesa no mundo. In:____. A língua portuguesa no mundo. São Paulo: Ática, 1989.


Nesse capítulo, Elia (1989) aborda como se situa a língua portuguesa nos diversos países e locais em que é falada. Ele denomina os falantes da língua portuguesa como lusofalantes e de Lusitânia os locais onde ela é falada. Segundo o autor, há cinco faces para a Lusitânia atual, que são denominadas como Lusitânia Antiga, Lusitânia Nova, Lusitânia Novíssima, Lusitânia Perdida e Lusitânia Dispersa.
A Lusitânia Antiga abrange Portugal, Madeira e Açores. E o país responsável por difundir a Língua Portuguesa para o mundo foi Portugal, durante a colonização. Os portugueses povoaram os locais descobertos, levaram costumes, práticas agrícolas, cultura e principalmente a língua portuguesa. Portugal foi responsável também por criar uma riquíssima obra literária e artística apreciada atualmente no mundo todo.
A Lusitânia Nova abrange só o Brasil, país para o qual a língua portuguesa foi transplantada. No início da colonização portuguesa no Brasil, havia diversas tribos indígenas, e cada uma com uma língua própria. Entre essas diversas línguas, a que sobressaía era a língua tupi-guarani, que possuía pouca variação linguística entre as tribos. Inicialmente no Brasil colônia, o português se fundiu com o tupi, ocorrendo duas variações importantes, que passaram a ser denominadas línguas gerais, uma delas era a língua geral do Sul ou paulista, e a outra era a língua geral do Norte, ou Amazônica, mais usada pelos jesuítas na catequização dos índios.
Nesse período, também houve uma mistura das línguas africanas, que eram faladas pelos escravos, com o português dos colonizadores brasileiros. Com o passar dos anos, essa mistura linguística ficou restrita aos rituais religiosos da cultura africana no Brasil. No decorrer do tempo, essas línguas gerais foram sendo substituídas pelo português padrão e, com isso, a língua portuguesa passou a ser a oficial do Brasil.
A Lusitânia Novíssima envolve as cinco nações africanas colonizadas por Portugal: Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.
Elia (1989) explica que Angola foi o país que mais forneceu escravos para o Brasil e, devido a isso, é o local que possui mais ligações culturais, históricas e raciais com o Brasil. Em Angola, a língua portuguesa é a falada oficialmente, mas tem uma peculiaridade. O português é falado mais na zona urbana, enquanto no interior são faladas as línguas nativas.
Moçambique tem também como língua oficial o português e foi uma das colônias de Portugal. Lá o português caminha junto com as línguas nativas e também com o inglês. Devido a esses fatores, o português não é considerado uma língua nacional.
Guiné-Bissau não foi uma colônia de exploração ou povoamento, como Angola e Moçambique, em Guiné os portugueses iam comercializar alguns produtos e depois iam embora do país. Com isso, criou-se uma multiplicidade de línguas, que dura até os dias atuais, havendo diversas línguas nativas, todas ágrafas. Devido à necessidade de comunicação entre a população do país, criou-se o que pode ser denominado como um intercâmbio linguístico. O ponto a favor da língua portuguesa, nesse contexto atual, é que ela é a única língua escrita no país.
Cabo Verde não foi uma colônia de exploração, isso em razão de o solo ser pouco fértil, mantendo-se a colônia deserta até que Portugal resolveu povoá-la, introduzindo escravos da costa africana. Durante a colonização, foram para lá escravos de diversas etnias, que criaram um linguajar próprio, o crioulo, usado para mera comunicação entre eles. Apesar disso, a língua oficial é o português.
São Tomé e Príncipe se tornaram colônias de Portugal na segunda metade do século XV e possuíam solo fértil, tornando-se independentes em 1975. A língua oficial é o português, mas lá a população fala alguns outros dialetos, sendo um deles o crioulo.
No final do capítulo, Elia (1989) trata da Lusitânia Perdida e da Lusitânia Dispersa. A primeira é relativa aos países que falavam a língua portuguesa e, ao longo dos anos, foram perdendo o costume de usá-la, como na Índia, Macau e Timor. A segunda se refere aos portugueses que emigram para outro país, levando, além da língua natal, a cultura e as tradições portuguesas.

Andressa de Fátima Ferreira
Fabiana Rodrigues
Jessé Guimarães
Rosimari Sabino

Resenha do livro "Técnicas de Comunicação Escrita"


BLIKSTEIN, Izidoro.  Técnicas de comunicação escrita.  5. ed.  São Paulo: Ática, 1987.



De acordo com Blikstein (1987, p.16), “Escrever bem é uma questão de sobrevivência”. Considerando essa citação, pode-se afirmar que para haver uma eficaz comunicação é necessário que o texto seja escrito de forma objetiva, se é possível transmitir a ideia, logo haverá resposta por parte do receptor. Logo, julga-se necessário evitar erros de gramática, mas não se deve limitar-se apenas a isso. E é sobre esse assunto que Blikstein irá discorrer no seu livro. A partir da história de um gerente apressado que deixa um bilhete para a nova secretária de sua agência que, por sua vez, entende o bilhete de forma diferente à ideia de seu chefe, o autor do livro explica, de forma organizada, os tropeços cometidos pelo gerente e os segredos para corrigir esses males.
É interessante observar a construção dos capítulos do livro para esclarecer o leitor da história do gerente apressado. Blikstein ensina que as técnicas de comunicação escrita são aplicáveis ao dia a dia, a fim de trazer melhorarias no trabalho, em casa e em qualquer lugar onde se faz o uso da comunicação.
Mostrar ao leitor exemplos comuns do cotidiano fortalece a argumentação, por se tratar de situações corriqueiras. Logo, Blikstein utiliza-se da história do gerente para ilustrar grande parte dos capítulos do livro. Pode-se notar que o escritor sempre cita fatos da história para garantir que existe uma linha de raciocínio presente no seu livro. Dessa forma, verifica-se que existe relação lógica entre as ideias do autor, chamada de coerência. Apesar de Blikstein não apresentar uma discussão sobre a coerência, algo de suma importância em um texto, o autor utiliza-se de outros artifícios que ajudam o leitor entender que um texto sem coerência direcionará em tropeços cometidos pelo gerente, personagem da história introdutória do livro.
O exemplo do bilhete foi bem citado para mostrar que é necessário passar todas as mensagens com clareza e objetividade, tudo aquilo que se tem em mente para que se possam obter respostas certas ligadas à mesma linha de raciocínio entre mensagem e resposta. Essa é uma situação que qualquer indivíduo está sujeito a passar, em que se pode perceber que cada detalhe da comunicação escrita faz toda diferença para o bom entendimento do leitor.
Quando se escreve uma mensagem, é de extrema importância a preocupação com o destinatário, devendo-se perguntar se as informações constantes da mensagem são suficientes para a compreensão do leitor. Ou seja, se existe um conhecimento prévio a respeito do assunto, evitar sobrecarregar o leitor com informações complicadas, difíceis de serem entendidas. É importante também utilizar um modo simples de escrever, bem como empregar gentilezas para que a leitura se torne atraente, fazendo uma revisão para ter certeza de que todas as informações estão no papel e, consequentemente, as respostas serão satisfatórias. Não se pode ter certeza de que a resposta será realmente a esperada, entretanto, a mensagem terá mais chance de ser eficaz se o remetente souber com quem ele está falando.
Tendo por base que a comunicação escrita quase sempre necessita de outra pessoa para receber a informação vinda do remetente, é válido ressaltar que quem escreve escreve para alguém, e esse alguém, não necessariamente, precisa adivinhar o que o outro quer dizer ao usar a comunicação escrita. A comunicação escrita utilizada hoje, em sua maioria, tem o objetivo de alcançar um maior número de pessoas. Por isso, é preciso que, na comunicação escrita, aquele que escreve deve se preocupar em como expressar uma ideia para que não haja má interpretação daquilo que foi redigido. Cabeças diferentes geralmente pensam coisas diferentes, por essa lógica ninguém tem obrigação de adivinhar o que o outro quer comunicar.
Dessa forma, conclui-se que Blikstein discorre sobre os segredos de  uma escrita eficaz e ressalta a importância de como escrever de forma concisa para que não haja desordem em sua decodificação; aguça a preocupação que se deve ter em relação a quem e como se escreve, lembrando sempre que as ideias de um nem sempre são parecidas com a do outro, e quem se utiliza da comunicação escrita deve manter o foco no assunto, evitando se comunicar entrelinhas e conservar a objetividade, para que haja coerência naquilo que se quer transmitir.

Jacyara Sheyla dos Santos Martins Xavier
Kennedy Ramalho Fontes
Suellen Cristina de Faria Deco

Resenha do livro "Coesão e Coerência Textuais"

FÁVERO, Leonor. Coesão e coerência textuais. 2. Ed. São Paulo: Ática, 1993.

             A um bom texto bastam somente as palavras? Em um texto o mais importante é transmitir a mensagem independente da forma como é apresentada? Fávero, uma das mais acentuadas lingüistas brasileiras, em sua obra Coesão e coerência textuais, expõe que, muito além de ser somente um conjunto de enunciados, para que haja sentido, são necessárias a coerência e a coesão. São esses dois fatores os objetivos da obra, na qual a autora trabalha com base em exemplos retirados de textos de autores como Carlos Drummond de Andrade, Millôr Fernandes e Luís Fernando Veríssimo, entre outros.
         Fávero visa a uma sistematização geral de aspectos observáveis na produção de textos, ou seja, apresenta uma denominação de dois dos fatores de textualidade, que são a coesão e a coerência. Dentro desse ponto de vista, conclui-se que uma obra parte das funções sociais tais como se apresenta na conversação, passando em seguida para as categorias mais abstratas da língua. Levando em consideração a língua oral e a escrita, não substituindo esta por aquela, mas mostrando que o estudo de ambas as modalidades deve fazer-se paralelamente.
         A autora tem conhecimento e autoridade bastantes para tratar o assunto. Sua metodologia propõe exemplificar, por meio de textos populares, o que somente em teoria seria de difícil compreensão. Sabe-se que, em obra que vise aprimorar um determinado assunto, o leitor necessita de um prévio conhecimento relativo ao tema. A linguística, como ciência, não foge à regra, e não basta somente a leitura do livro de forma independente de outras obras para absorver o que nele é apresentado.
Considerando tal fato, uma pessoa interessada em aprimorar seus conhecimentos não sofrera maiores dificuldades na compreensão do texto. O esforço dispensando para a leitura de uma obra acadêmica fará com que a mesma se torne mais acessível, a partir do empenho e familiaridade como o modelo de texto utilizado.
          Como se pode observar no livro, a coesão e a coerência são fatores distintos, porém interdependentes. Enquanto a coerência indica uma unidade lógica entre os enunciados, a coesão estará representada pela conexão entre os diversos enunciados que possam existir no texto.
       Portanto, o livro é, sem dúvida, uma importante ferramenta para aprimorar os conhecimentos linguísticos, oferecendo ao leitor uma explicação e apresentando dois fatores constantemente utilizados, roa de forma correta, ora de forma equivocada.

Bárbara Gonçalves
Dáffini Barcelar
Gislaine Pereira
Marineide Santos

Resumo do livro "Linguagem e Persuassão"

CITELLI, Adilson. Linguagem e persuasão. 15. ed. São Paulo, 2001.

      Nesse livro, Citelli lança algumas ideias para a melhor compreensão das técnicas utilizadas para o convencimento, ou seja, o ato de persuadir. É a partir dessas técnicas que o livro tem seu conteúdo desenvolvido.
      A revista americana Newsweek tem como slogan: “aquela que não persuade”, citada como exemplo por Citelli, deixa nítida a ideia de um meio de comunicação confiável, uma revista em que seus leitores podem acreditar. A partir desse ponto, são ressaltados pelo autor graus de persuasão, o exemplo acima é identificado como uma “persuasão mascarada”.
      Em sua obra, Citelli faz referências a Aristóteles (384-322 a.C.) e, através de suas teorias, o autor deduz que a retórica não é a persuasão, ou ainda, a retórica pode revelar como se faz a persuasão. Portanto, entende-se como retórica a técnica da persuasão. Uma ciência que busca ensinar como se empregam os argumentos.
      O autor menciona, como estratégia retórica, algumas figuras frequentemente utilizadas. Entre as figuras abordadas, ele cita a metonímia, que é a utilização de um termo no lugar de outro. Exemplo: Ouvi Roberto Carlos (entende-se como ouvi a música de Roberto Carlos).
      No capítulo três, Signo e Persuasão, o autor aborda esse tema, mostrando que a construção de um discurso persuasivo passa por uma organização dos signos linguísticos e é da inter-relação dos signos que se produz um texto.
      Ele também cita Saussure. Este afirma que todo signo possui duas faces: o significante e o significado, distinguindo-os desta forma: o significante é a imagem acústica, sua realidade material. Já o significado é o aspecto imaterial, conceito que remete a uma determinada representação mental evocada pelo significante. Pode-se, a partir daí, conceituar que significante e significado são constituídos de uma mesma base, a significação, portanto, a significação é produto final da relação entre significado e significante.
      O autor afirma de forma objetiva que o signo é sempre arbitrário e que não há relação direta entre significante e significado. O que rege essas relações é a convencionalidade.
      Com base em Emile Benveniste, Citelli diz que a relação entre palavras e coisas não está apenas determinada pela arbitrariedade, mas também pela necessidade. Pode-se então deduzir que as circunstâncias históricas, no mundo, ao longo de seus processos de desenvolvimento, foram criando necessidades de dar nomes aos objetos, e a arbitrariedade estaria em um segundo momento.
      No capítulo 4 sobre Modalidades Discursivas, Citelli procura demonstrar que ocorrem diversos tipos de discurso. Ele explica isso através do conceito apresentado por Eni Orlandi em seu livro A Linguagem e seu funcionamento. Neste livro, Orlandi diz que o discurso é organizado principalmente por três formas: o discurso lúdico, polêmico e autoritário.
      O discurso lúdico é aquele que menos tenta convencer o leitor, é o discurso usado para que se possam apresentar diversas formas de interpretação, ou seja, cada um teria a liberdade de analisá-lo da forma que achasse mais aceitável. Já o discurso polêmico é usado para o convencimento e para causar divergências, utilizado principalmente em debates, discussões, artigos etc. Nele ainda ocorre uma abertura para que quem estiver participando de uma discussão, por exemplo, apresente o argumento próprio. O outro tipo de discurso é o autoritário, totalmente impositivo, usado para dominar e para quem o escute obedeça. Através deste discurso, um dos interlocutores não fornece a mínima chance de argumentação para quem ele é dirigido.
      No capítulo 5, sobre Textos Persuasivos, o autor faz análises de alguns textos que podem ajudar a entender melhor as relações apontadas anteriormente.
      Nesse capítulo é feita uma alusão à persuasão apontada na publicidade, no discurso religioso, no discurso do livro didático, na literatura e no discurso dos justiceiros.
      Na publicidade, é impossível abrir mão desse artifício. Talvez seja a única ferramenta de trabalho dos profissionais dessa área que a usam sem a menor objeção para atingir o objetivo que é o de “simplesmente” vender o seu produto. Não existe outro meio. Isso se faz às vezes de maneira sutil ou agressiva.
      No discurso religioso, a persuasão é usada por muitos de uma maneira leve, por outros ela é quase imposta. O autor diz que nesse tipo de discurso muitas vezes impera o autoritarismo, que o seu enunciador – Deus não pode ser questionado, porque segundo a nossa cultura, Deus não se questiona. Ele está acima de todas as coisas.
      No discurso do livro didático, em que a proposta do mesmo é ensinar, a persuasão é facilmente atingida quando o autor aborda assuntos que mais se aproximam da realidade. Alguns autores fantasiam muito, chegam a ser utópicos.
      Na literatura, quando se quer convencer, o autor usa a persuasão ao construir seus personagens, e faz isso de uma maneira que leva o leitor a se identificar com eles ou não.
      Na fala dos justiceiros, que se dá nos textos jornalísticos sensacionalistas, seus autores identificam o público alvo, buscam sempre o mesmo assunto tais como esporte, policial para persuadirem.
      E por último, o autor ressalta a possibilidade de um discurso não persuasivo. A persuasão remete à ideia de achar que muitas vezes é sinônimo de coerção ou mentira. É inegável que muitas vezes ela se dá de forma negativa. Portanto, é preciso discernimento para aproveitar o que a persuasão traz de positivo.

Andressa de Fátima Ferreira
Fabiana Rodrigues
Jessé Guimarães
Rosimari Sabino

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Resenha do Livro "A Articulação do Texto"

GUIMARÃES, Elisa.  A articulação do texto.  10. ed.  São Paulo: Ática, 2006.


           
            No livro A articulação do texto, Guimarães aborda os principais elementos necessários para a construção de um texto eficaz, destacando a necessidade de este ser coerente e coeso. Mostra que o texto deve ser constituído em sua totalidade, e o contexto também deve ser levado em conta.
           A autora, no decorrer da obra, ressalta o que é mais importante no processo de articulação do texto: a estrutura sintática e a relação semântica. Conduz o leitor a refletir sobre os principais elementos linguísticos e discursivos necessários para uma articulação adequada.
            Ela define texto de maneira que possa ser oral ou escrito, longo ou breve, antigo ou moderno. Relata que, em um texto bem-articulado, cada elemento deve se interagir com o todo, e o todo com cada elemento que o constitui. O valor de cada elemento não depende apenas de sua natureza ou forma, mas também de sua relação com o conjunto. Daí a importância da coerência e da coesão dentro do texto, pois estas, estando bem- trabalhadas, ajudam a estabelecer conexão entre os demais elementos do texto.
            Em um texto, a sequência de ideias é algo de grande importância. Devem-se exibir as informações principais relacionadas ao assunto proposto, já que o texto não é uma repetição de palavras, frases e orações. A clareza de ideias permite interpretar melhor o texto, proporcionando uma articulação de elementos adequada. Guimarães relata esses pontos relevantes para a construção de um texto bem-articulado.     
            De acordo com a autora, todo texto apresenta um enunciado e um conjunto de informações. Esse conjunto deve ser ordenado, e esta ordem tem que obedecer aos critérios da semântica e da sintaxe. É extremamente necessário que haja estrutura sintática e organização semântica, ou seja, deve-se preocupar com a sua forma e com o seu sentido.
            No nível sintático as estruturas fixam relações de equivalência ou de hierarquia, ou seja, de coordenação ou de subordinação. Já no nível semântico, a preocupação é com o sentido do texto, pois ele está inserido num contexto e deve ter uma relação com este para facilitar o entendimento do texto, e não pode ser uma simples sucessão de frases. É necessário que se tenham relações lógicas e de redundância entre as ideias que o compõem.
            Guimarães usa, no decorrer do livro, alguns exemplos para ilustrar conceitos apresentados. Esses exemplos ajudam bastante a entender melhor o livro. A autora também define os diferentes tipos de texto: o descritivo, narrativo e o dissertativo. Mas mesmo o texto tendo um tipo dominante, sempre aparecem traços dos demais.
            Deve-se ter em mente que o texto frequentemente está relacionado ao seu contexto. Porém, não é o entendimento do texto que ajuda a entender o contexto, e sim o conhecimento do contexto que ajuda a interpretar melhor o texto. O texto sempre estará relacionado com algum fator externo, e o conhecimento desse fator ajuda no entendimento da estrutura interna do texto. Para exemplificar essa relação de texto e contexto, a autora mostra que uma mesma palavra pode ter significados diferentes, de acordo com o contexto em que ela está inserida.
            O texto é um veículo de comunicação, ou seja, tem um emissor e um receptor. O emissor, ao criar o texto, tem o papel de expandir a mensagem nele contida, e o receptor, ao ter contato com o texto, tem papel contrário em relação ao emissor, ou seja, este comprime a mensagem o máximo que pode, para captar melhor o núcleo da mensagem do texto.
            Apesar de o livro conter, em sua quase totalidade, uma linguagem técnica, percebe-se que, ao terminar a leitura do mesmo, consegue-se extrair informações e conhecimentos fundamentais para a elaboração de um texto eficaz. O fato de a autora usar termos técnicos no livro não chega a atrapalhar a leitura. Ela forneceu, no final do livro, um vocabulário crítico que contém a definição de alguns termos usados.
            Dessa forma, a obra é de grande ajuda para a construção adequada de um texto. Independente do tipo de texto produzido, a coesão e a coerência se fazem necessárias para que se alcance o objetivo final, que é informar e instruir o leitor.


Cândida Morais Quaresma
Cláudia Faria
Daniel Sousa Rocha
Emanuele Cristine
Gisele Gomes
Suzidarle da Silva Alves



segunda-feira, 28 de março de 2011

Resenha do Livro "Como Ordenar as Ideias"

BOAVENTURA, Edivaldo. Como ordenar as idéias. 5. ed. São Paulo: Ática, 1997.


Escrever bem é uma arte. No entanto, poucas pessoas têm domínio das habilidades de comunicação. Isso explica a dificuldade que muitos enfrentam ao produzir textos. De fato, escrever de modo coerente é difícil. Muitos se perguntam: de que modo começar? Os textos surgem a partir de ideias. Essas, por sua vez, devem ser selecionadas e organizadas de modo a produzir um texto harmônico e de qualidade.

Pensando nessa necessidade, o livro Como ordenar idéias, de Boaventura, traz orientações práticas para a organização das ideias de um texto de modo a construí-lo de forma coerente e bem-estruturada.

Composta por 59 páginas e dividida em sete capítulos, a obra é introduzida de modo a salientar a importância de planejar, projetar, esquematizar e seguir o roteiro. No segundo capítulo, o autor apresenta os aspectos relacionados à introdução do texto. Segundo ele, cabe a essa parte despertar o interesse do leitor, abordando as ideias centrais de modo superficial, pois essas serão pormenorizadas na próxima fase.

O terceiro capítulo orienta a maneira como o tema deve ser desenvolvido. Cada ideia deve ser exibida de cada vez, ou seja, dividida, o que facilita a exposição e o consequente entendimento. Pode-se separar o assunto duas ou no máximo três vezes. A mais recomendável é aquela feita de duas vezes, que possibilita trabalhar com a oposição de ideias. Outra forma de divisão consiste na sucessão de ideias, denominada pelo autor como “progressão”, na qual a primeira ideia complementa a segunda.

No próximo tópico, Boaventura explica como deve ser feita a conclusão do texto. Trata-se do “resumo marcante”. Nessa parte, deve-se condensar o assunto, abordando a ideia central de maneira concatenada e sucinta, levando o leitor a convencer-se dos argumentos e razões apresentados. É importante salientar que, ao fim dos capítulos dois, três e quatro, Boaventura apresenta um modelo que exemplifica a aplicação do conteúdo ensinado.

No Epílogo, o autor conclui seu trabalho. Esse é seguido de um capítulo, denominado “Vocabulário crítico”, no qual esclarece o significado de algumas palavras ou expressões utilizadas no texto.

Escrita em linguagem de fácil acesso, a obra aborda o tema de maneira clara e objetiva. Por se tratar de um livro pequeno estimula a leitura de determinado tópico repetidas vezes e facilita a consulta ao assunto. Sendo assim, esse livro constitui uma excelente ferramenta tanto para aqueles que possuem dificuldades em ordenar e apresentar suas ideias quanto para os que desejam esclarecer dúvidas quanto à forma de organização de um texto. De fato, é um compêndio cuja leitura se torna obrigatória.


Alessandra Veloso

Ebe Cruz

Suziane dos Santos

Vânia Silvério

Resumo do Livro "Como Facilitar a Leitura"

FULGÊNCIO, Lúcia; LIBERATO, Yara. Como facilitar a leitura. 6. ed. São Paulo: Contexto, 1992.


É comum encontrar pessoas que apresentam dificuldade de interpretação de textos. Muitas delas alegam detestar ler, o que se explica por sua incapacidade de aferir significado àquilo que leram. A construção de sentidos é imprescindível para a realização da leitura de um texto. Ela é quem permite decodificar os elementos textuais de forma a compreender, com eficácia, o texto lido.

Considerando a dificuldade de compreensão de textos, observada principalmente em alunos carentes, Fulgêncio e Liberato escreveram o livro Como facilitar a leitura, fruto da reunião de pesquisas, o qual integra a coleção Repensando a Língua Portuguesa, voltada à discussão de temas essenciais da Linguística aplicada.

Em um primeiro momento, as autoras discorrem a respeito do que seja leitura e de como ela se constrói a partir das experiências previamente adquiridas do leitor. A informação é analisada em seus aspectos visuais e não visuais, e são discutidas previsão e inferência, habilidades inerentes à leitura. As autoras associam a dificuldade das crianças, quanto ao aprendizado da leitura, à pouca informação não visual que possuem, bem como ao não desenvolvimento de estratégias eficientes. Como recurso, elas defendem a utilização de textos que não exijam do leitor uma habilidade que ele ainda não adquiriu, e que os textos sejam gradativos quanto à dificuldade, de forma que suas habilidades se desenvolvam passo a passo.

Após discursar sobre as habilidades de leitura, Fulgêncio e Liberato descrevem aspectos formais de um texto, tópico e parágrafo que, bem utilizados, exercem valioso papel quanto à organização das informações apresentadas e auxiliam o leitor na compreensão do texto. A paragrafação é descrita como um fator não aleatório, que deve obedecer a uma estrutura semântica apropriada, que não confunda os leitores em perspectiva, auxiliando-os como sinalizadores das informações contidas no texto.

Na terceira parte, observa-se uma análise de elementos apresentados nos textos, dados (que estão na consciência do leitor), anáforas e catáforas. Tais elementos dialogam com a capacidade que o leitor tem de reter informação a longo ou curto tempo. São discutidas capacidades que o leitor apresenta de inferência, a partir de elementos previamente apresentados no texto, bem como as dificuldades que um texto apresenta ao conter anáforas pouco transparentes, passíveis de ambiguidade e (ou) que dependam de conhecimentos prévios que o leitor não assimilou. As autoras explicitam não ser sua proposta que os textos sejam construídos de modo a oferecer todas as informações, independendo de conhecimentos prévios por parte dos leitores. Defendem apenas que os textos sejam adequados ao nível de conhecimento prévio que os leitores tenham desenvolvido, o que facilitaria a leitura, permitindo ao leitor uma melhor experiência com o texto.

Valendo-se de inúmeros exemplos para expor as armadilhas com que os leitores se deparam ao ler um texto, as autoras cumprem aquilo a que se propuseram com esse livro: demonstrar que a compreensão e o aprendizado da leitura serão maiores, quanto melhor forem a legibilidade dos textos e a adequação à realidade do leitor. Elas evidenciam, assim, que a legibilidade, fruto da interação entre o leitor e o texto, deve ser observada na elaboração, adequação e indicação dos textos didáticos, para que a experiência dos alunos com a leitura seja gradativamente construída.


GRASIELLE CRISTINE PINTO CHALUB

PAULA SOUZA RÉGIS

RITA ANÁLIA GUIMARÃES

RONNIE ALVES FERREIRA